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📖 Manual — Pricing

🏷️ Pricing — formação de preço com custo real

Este módulo responde duas perguntas diferentes que costumam se misturar: quanto me custa (fato, apurado dos seus dados) e quanto devo cobrar (decisão sua, apoiada pelo módulo).

A ideia central: o custo é o piso do preço, não o preço. O que o cliente aceita pagar é o teto. O Pricing calcula o piso com precisão e mostra a margem de cada cenário — quem decide o preço é você.
⚖️ Antes de tudo — leia isto

As sugestões deste módulo são técnicas: calculadas a partir dos seus dados e de metodologias consagradas de custeio e precificação (as referências estão listadas no fim deste manual). Elas dizem quanto custa, qual a margem de cada cenário e o que o seu histórico mostra.

O que elas não fazem é decidir o preço. Preço depende de coisas que nenhum sistema enxerga: a relação com aquele cliente, o movimento do concorrente na semana passada, o momento da negociação, o posicionamento que você quer para a marca, a urgência de entrar ou de defender um mercado. Quem tem essa leitura é o empresário — e é ela que decide.

As análises de histórico mostram correlação, não causalidade, e amostras pequenas não sustentam conclusão (o módulo sinaliza quando isso acontece). O apoio de IA interpreta números já calculados e pode conter imprecisões — ele não gera preço.

A definição do preço praticado e seus efeitos comerciais, financeiros e tributários são de responsabilidade da empresa usuária. Recomendamos validar mudanças relevantes de preço com o seu contador, controller ou consultor de confiança.

Em resumo: usamos a teoria e os seus dados para tirar o achismo do custo. A leitura do mercado continua sendo sua.

De onde vem o custo

O módulo não é um cadastro novo de custo. Ele lê o que a sua operação já registra:

CustoDe onde vemO que você precisa ter
Matéria-primaBOM do produto (PCP) × custo de estoque (WMS)Ficha técnica cadastrada e entradas de estoque valorizadas
TransformaçãoRoteiro de fabricação × custo/hora do centro de trabalhoRoteiro ativo e custo/hora preenchido no centro
Mão de obra de serviçoHoras × taxa-hora do recursoRecursos importados de Projetos, Field Service ou Jurídico
Overhead (indireto)Despesas da DRE (Financeiro) rateadas por um driverTítulos a pagar categorizados
Outros diretosVocê digita (frete, embalagem, comissão…)Nada — é campo livre

Se algum custo não estiver disponível, o módulo avisa qual é a lacuna em vez de assumir zero silenciosamente. Você completa manualmente e segue.

Passo a passo — precificar um produto

1
Confira o custo do produto. Aba Custo de produto → busque o produto → Apurar custo. Ele mostra o custo do lote, o unitário, e a lista item a item de onde saiu cada real.
2
Olhe a variação padrão × realizado. Se as ordens de produção concluídas mostram custo real bem acima do calculado, a sua premissa de preço está otimista — a margem real será menor.
3
Crie a composição. Aba Composições+ Nova composição → tipo Produto → escolha o produto. Adicione custos diretos que não estão no sistema (frete de entrega, embalagem especial).
4
Escolha o overhead. Selecione uma configuração de rateio (ou deixe sem, se quiser ver só o custo direto).
5
Escolha o método de preço e clique em 🧮 Calcular. Confira a margem resultante e os avisos.
6
Salve e publique. Publicar congela o preço e, se você quiser, grava no Catálogo — de onde as propostas comerciais puxam.

Passo a passo — precificar um serviço

1
Importe as taxas-hora. Aba Recursos de serviço🔎 Buscar nos módulos. Ele encontra o que você já cadastrou em Projetos, Field Service e Jurídico. Importe em vez de redigitar.
2
Nova composição tipo Serviço → adicione linha por recurso com as horas previstas da entrega.
3
Some os diretos (deslocamento, material aplicado, subcontratação) como custos manuais.
4
Aplique overhead e método, calcule e publique — igual ao produto.
Cuidado com a taxa-hora. Use o custo da hora (salário + encargos + estrutura), não o preço que você cobra pela hora. Se colocar o preço de venda aí, a margem calculada fica errada.

Os quatro métodos de preço

Markup

Aplica um percentual sobre o custo. Custo R$ 100 com markup de 30% → preço R$ 130.

Margem de contribuição

Define quanto sobra sobre o preço. Custo R$ 100 com margem desejada de 30% → preço R$ 142,86.

O erro mais comum das PMEs: markup de 30% não é margem de 30%. Custo 100 → preço 130 → a margem é de 23,1% (30 ÷ 130), não 30%. Quem forma preço por markup achando que está garantindo aquela margem trabalha com menos lucro do que imagina. O módulo mostra os dois números lado a lado justamente por isso.

Target costing (custo-meta)

Inverte a lógica: parte do preço que o mercado aceita, desconta a margem que você quer, e o resultado é o custo-teto — o máximo que o produto pode custar. Se o custo atual está acima, o módulo avisa: é hora de atacar o custo (renegociar insumo, reduzir refugo, mudar processo) ou rever a margem alvo. Muito útil em mercado com preço mais dado do que negociado.

Valor percebido

Você define o preço (porque o cliente valoriza mais do que custa produzir) e o módulo calcula a margem que resulta, exigindo justificativa registrada. É a forma honesta de fugir do cost-plus sem perder o controle.

Overhead — os dois caminhos

ModoComo funcionaQuando usar
Percentual fixoAplica X% sobre o custo diretoComeço rápido; é o que a planilha já fazia
Pool ÷ driverSoma as despesas reais das categorias que você marcar num período e divide por um driverQuando precisa defender o número (auditoria, cliente, sócio)

No modo pool, marque no Financeiro as categorias que realmente são estrutura (administrativo, aluguel, TI) — não inclua custo direto, senão você conta duas vezes.

Armazém: guardar e movimentar são duas contas diferentes

Se você estoca produto, tem custo de guardar (aluguel, IPTU, energia, seguro) e custo de movimentar (pessoal, empilhadeira, remanejamento). Parece um custo só, mas se comporta como dois — e essa é a diferença que quase toda planilha erra.

AtividadeO que gera o custoDriver certo
GuardarOcupar espaço durante um tempom³ × dias parados
MovimentarCada vez que alguém pega, guarda ou remanejaNº de movimentações
Por que não pode ser um pool só dividido por faturamento. Imagine dois itens: uma caixa grande e barata que fica seis meses no galpão, e uma peça pequena e cara que sai em uma semana. Rateando por receita, a peça cara — que quase não ocupa espaço — recebe a maior fatia do custo de armazém, e a caixa grande fica parecendo barata. É o inverso do que acontece na prática. O item que ocupa o galpão é o que deveria pagar por ele.

A consequência que muda decisão: o giro passa a entrar no preço. Um item que fica oito meses parado carrega muito mais custo de guarda que um que gira em quinze dias — e agora isso aparece no preço, em vez de ficar escondido numa média.

Como ligar

  1. Em Overhead, crie um pool chamado por exemplo "Armazenagem — guardar", escolha as categorias de aluguel/energia/seguro e o driver m³ × dia guardado.
  2. Crie outro, "Movimentação", com as categorias de pessoal e equipamento de armazém, driver movimentação.
  3. Pronto. A partir daí o custo entra sozinho em toda composição de produto ligada a um item de estoque — sem você lançar linha nenhuma.

O sistema não aplica um percentual: ele multiplica a taxa pelo consumo real daquele item — quantos m³ ele ocupa, quantas movimentações ele gerou. Por isso o número é diferente para cada produto.

Item sem medidas no cadastro do WMS fica de fora — e o módulo avisa. Ele não inventa um volume, porque estimar o tamanho pelo preço seria circular (o preço é justamente o que estamos calculando). Enquanto o cadastro não for preenchido, o custo de guardar aquele item é absorvido pelos outros, o que os encarece indevidamente. O painel mostra a cobertura: quantos % dos itens já têm dimensão.

E o pessoal do escritório?

Aqui a resposta honesta é que boa parte do custo administrativo não é dirigida por produto — é custo de período. RH, contabilidade e diretoria custam praticamente o mesmo se você vender mil ou mil e duzentas unidades.

Se for ratear, o driver comum (faturamento) é o mais enganoso: faz o produto de maior preço parecer que consome mais RH e contabilidade, o que raramente é verdade. Drivers mais honestos:

Ao criar o pool, marque a natureza como Administrativo. Isso faz ele aparecer só na visão de absorção — e não contaminar o número que você usa para decidir preço. É o assunto da próxima seção.

As duas visões: absorção e contribuição

O módulo mostra o mesmo produto de duas formas, lado a lado e rotuladas. Não é redundância: são perguntas diferentes.

Margem de contribuiçãoCusteio por absorção
O que entraCusto direto + atividade (material, mão de obra, armazém)Tudo, inclusive a estrutura administrativa
Responde"Vale a pena vender por esse preço?""Quanto vale meu estoque no balanço?"
Use paraDecidir preço, aceitar ou recusar pedidoContabilidade, valoração, conversa com o contador
O erro que essa separação evita. Um pedido pode aparecer como "prejuízo" na absorção e ainda assim valer a pena aceitar — porque a estrutura administrativa existe com ou sem aquele pedido. Se ele cobre o material, a mão de obra e o armazém, e ainda sobra alguma coisa, essa sobra ajuda a pagar o escritório que você pagaria de qualquer jeito. Recusar pelo número da absorção deixa a empresa pior.

Isso vale para pedido marginal, não para a política de preço do dia a dia — se todos os pedidos forem assim, a estrutura nunca é paga. Quando essa situação aparece, o módulo mostra o alerta explicando a leitura.
Por que a absorção não serve para decidir preço. Nela o custo unitário depende do volume vendido. Quando as vendas caem, o custo unitário sobe, o preço sobe, e as vendas caem mais. É o que a literatura chama de espiral da morte do custeio por absorção — e é por isso que a decisão de preço se toma pela contribuição.

Governança — piso de margem

Você pode definir um piso de margem por composição. Se o preço ficar abaixo dele, publicar exige:

É o mesmo princípio de alçada de desconto: exceção pode acontecer, mas fica rastreável.

Limite de desconto no CRM — o que cada um enxerga

Quando você publica uma composição no Catálogo, ela leva junto o preço-piso. É dele que o CRM tira, na hora de montar a proposta, o número que o vendedor realmente precisa: "até quantos por cento eu posso dar".

Repare que não é uma tabela de alçada digitada à parte. O limite é calculado a partir do custo atual — se o insumo subiu e você republicou a composição, o limite do vendedor se ajusta no mesmo dia, sem ninguém precisar lembrar de atualizar um documento.

PapelEnxergaPode fazer
VendedorPreço, desconto aplicado e o limite ("3% de 12%"), com semáforo por linhaDescontar até o limite sem pedir nada a ninguém
Gestor de vendasTudo: custo, margem em R$ e em %, margem da proposta inteiraAprovar ou recusar desconto acima do limite
O vendedor não vê custo nem margem — e isso é deliberado. Não adiantaria esconder só o custo: com o preço e a margem percentual na mão, o custo sai por uma conta de uma linha (custo = preço × (1 − margem)). Por isso o que chega até ele é o limite, que é o que ele precisa para negociar, e nada além. O filtro é feito no servidor, por permissão — não é a tela que esconde.

Como funciona na prática

1
O vendedor monta a proposta no CRM. Cada linha mostra o semáforo: verde confortável, âmbar no limite, vermelho passou.
2
Ao salvar uma proposta que passou do limite, o sistema pede uma justificativa e envia ao gestor. Justificativa é obrigatória: desconto sem motivo escrito vira precedente que o próximo vendedor cobra.
3
O gestor vê a margem real e decide. A margem do momento da decisão fica congelada no registro — revisar meses depois mostra o número que foi aprovado, não o de hoje.
O veredito é da proposta inteira, não de cada linha. O vendedor desconta um item e compensa em outro — é assim que se fecha negócio. Travar linha a linha reprovaria proposta boa e aprovaria proposta ruim. Por isso o semáforo por linha é diagnóstico, e o que decide a aprovação é o conjunto.

Versionamento

Composição publicada é imutável. Mudou o custo do insumo? Crie uma nova versão — o histórico anterior fica preservado, e você consegue explicar depois por que o preço era aquele naquela data.

Painel — o que olhar primeiro

O painel abre com o número que costuma ser o mais revelador: quanto do preço faturado realmente chega ao caixa. Abaixo dele vem a fila "o que merece atenção agora", ordenada por impacto — preço abaixo do custo primeiro, depois vazamento, desconto ineficaz, clientes no prejuízo, margem abaixo do piso e preços defasados.

No rodapé há a cobertura de dados: cada análise depende de um módulo (faturamento, CRM, estoque). O painel mostra o que já dá para analisar e o que ainda falta ligar, em vez de exibir gráfico vazio.

Curva de aceitação — descontar faz ganhar?

Cruza as suas propostas aceitas × recusadas por faixa de desconto e mostra a taxa de vitória de cada faixa. É a forma de responder, com o seu histórico, se descontar mais realmente traz negócio — ou se a partir de certo ponto o desconto só sai da margem.

O módulo aponta o ponto de inflexão: a faixa a partir da qual cada ponto de desconto compra pouca ou nenhuma vitória. Também separa os motivos de perda declarados, para distinguir "perdi por preço" de "perdi por outra coisa" — porque baixar preço não resolve o que não é preço.

Leia com cuidado: isto é correlação, não causalidade. Desconto grande costuma aparecer justamente em negócio difícil — uma faixa com desconto alto e vitória baixa pode refletir o perfil do negócio, não o efeito do preço. Faixas com poucas propostas aparecem marcadas como não conclusivas.

Preço de bolso — para onde o dinheiro vaza

A cascata que separa o preço que você anuncia do que efetivamente entra no caixa:

  1. Preço faturado (bruto)
  2. − Desconto na nota (o vazamento que todo mundo vê)
  3. − Frete por sua conta (CIF)
  4. − Custo do prazo concedido (prazo é desconto disfarçado)
  5. − Comissão de representantes
  6. = Preço de bolso

O ponto central do conceito (Marn & Rosiello, HBR 1992) é que a maior parte do vazamento está fora da nota — e por isso não aparece em nenhum relatório de desconto, não tem dono e ninguém defende. Estudos de price realization apontam preço de bolso rodando 20-30% abaixo do faturado em B2B.

Há também o ranking por cliente: quem, na prática, compra mais barato. Costuma surpreender — nem sempre é o maior cliente.

Rentabilidade por cliente (curva-baleia)

Ordena os clientes do mais ao menos rentável e acumula o lucro. O desenho lembra o dorso de uma baleia: sobe, atinge um pico e depois desce. O trecho descendente são clientes que consomem mais margem do que entregam — desconto alto, prazo longo, frete por sua conta.

Cliente pouco rentável não é automaticamente cliente ruim. Ele pode ocupar capacidade ociosa, dar escala na compra de insumo ou ser porta de entrada estratégica. A curva mostra onde olhar — o que fazer é decisão sua.

Red team — o advogado do diabo

Dentro de cada composição, o botão 🥊 Red team ataca a sua própria decisão com os dados da operação. Ele procura:

Os achados são determinísticos — valem mesmo sem IA configurada. A IA, quando ativa, acrescenta uma leitura complementar.

Painel de linhas teóricas

Mostra o mesmo custo precificado por várias escolas ao mesmo tempo. A graça não é ver qual dá o maior preço — é perceber que cada linha responde a uma pergunta diferente, e que a distância entre elas é informação:

Cada linha declara honestamente a sua origem: calculada com seus dados, vinda do seu histórico, informada por você, ou fora do alcance do sistema (caso da concorrência).

Valor econômico (EVE) — o assistente de valor

O único caminho estruturado para fugir do cost-plus sem chutar. A conta é: preço da alternativa que o cliente usaria + ganhos que você entrega = teto de valor.

Para química e indústria isso fica concreto: "rende 15% mais por kg", "reduz parada de máquina em 4h/mês", "elimina uma etapa do processo". Cada ganho quantificado em reais entra no teto; os qualitativos ficam de fora do cálculo, mas ajudam a sustentar o preço na negociação.

Você escolhe quanto do ganho captura — o resto é o incentivo que sobra para o cliente aceitar trocar de fornecedor.

O teto só é real se o cliente acreditar. Sem evidência (teste, caso de sucesso, garantia), o valor percebido é menor que o valor econômico calculado — e o preço que se sustenta é o percebido.

Copiloto de IA

Dentro de cada composição, o botão 🤖 Copiloto lê a estrutura de custo e comenta: onde o custo se concentra, riscos de margem, alavancas de redução e perguntas que valem responder antes de fechar o preço.

A IA não define preço e não inventa números — ela só interpreta os valores que o módulo já calculou. Sem provedor de IA configurado, todo o resto do módulo funciona normalmente (o cálculo é determinístico).

Perguntas frequentes

Não tenho o módulo PCP. Consigo usar?

Sim, com limitação: sem BOM e roteiro, o custo de produto não é apurado automaticamente. Você ainda pode montar composições de serviço e usar custos manuais em qualquer composição. O ganho automático aparece conforme você tiver os módulos de origem.

O custo apareceu zerado num componente. Por quê?

O item nunca teve entrada valorizada no estoque, ou não está vinculado a um item de estoque. O módulo lista isso como lacuna. Corrija no WMS (dando entrada com valor) ou lance o custo manualmente na composição.

Qual a diferença entre custo padrão e custo real?

Padrão é o que a engenharia diz que deveria custar (BOM + roteiro). Real é o que as ordens de produção efetivamente consumiram. A diferença entre os dois é a variação — e é ela que explica margem que "some" entre o planejado e o fechamento do mês.

Publiquei o preço. Ele já vale nas propostas?

Só se você marcar publicar no Catálogo na hora de publicar. Aí o item do Catálogo passa a ter esse preço, e as propostas comerciais puxam de lá.

Posso ter preços diferentes para o mesmo produto?

Pode: crie composições distintas (ex.: "Produto X — varejo" e "Produto X — distribuidor"), cada uma com o seu método e margem. O custo é o mesmo; a decisão de preço é que muda.

🔎 Saiba mais (técnico) — as referências por trás dos métodos

Limite honesto de cada uma: todas essas referências tratam de método — como organizar o raciocínio de custo e preço. Nenhuma delas, nem este módulo, substitui o conhecimento de mercado de quem toca o negócio. Métodos reduzem o erro de conta; não eliminam o erro de leitura.