📦 Cadastro Unificado de Produto

Um cadastro só para vestuário com grade, produto químico com lote, granel na balança, kit que explode na venda, serviço e licença de software. Com o estoque, o fiscal e a conformidade amarrados — não como telas separadas que se contradizem.

O problema que ele resolve

Na maioria dos sistemas, o produto é cadastrado três vezes: uma no estoque, uma no varejo, uma no catálogo de vendas. Elas divergem em uma semana. Aí o vendedor propõe um item que o estoque não conhece, o comprador lança caixa como unidade, e o lote vencido sai pela porta porque a tela mostrava "140 disponíveis".

Aqui existe um lugar. E ele é rígido em duas ou três coisas que parecem detalhes até virarem prejuízo.

Como funciona, em uma frase

Produto é o conceito (Camisa Polo). SKU é o que existe na prateleira (Camisa Polo M Azul).
O estoque pertence sempre ao SKU. Sem exceção.

Isso é o que permite que o mesmo cadastro atenda a camisa com grade P/M/G × cores, o solvente com lote e validade, o engradado de 12 latas e a licença de software — sem virar quatro sistemas.

Comece por aqui

1
Cadastre o produto
Nome, categoria, marca — tudo em lista de seleção, com criação inline. Digitação livre é a origem de "Química" e "quimica" convivendo no mesmo relatório.
2
Defina os eixos da grade e gere as variações
Tamanho: P, M, G / Cor: Azul, Branco → 6 SKUs de uma vez. Produto sem variação tem um SKU só, e a lógica é idêntica.
3
Escolha o modo de controle do SKU
É a decisão mais importante da tela. Ela define se o produto vai ter validade, série, seats — ou nada disso.
4
Complete o fiscal
NCM, CEST, CST e cClassTrib (Reforma Tributária). Tem sugestão por IA — ela propõe, com percentual de confiança e justificativa; você aprova.
5
Publique no catálogo
O preço é a única coisa que o catálogo comercial guarda por conta própria. Nome, unidade e imagem vêm do SKU — sempre.

Os cinco modos de controle

ModoParaO que ele liga
FísicoParafuso, ferramentaSaldo simples por endereço
LoteQuímica, farma, cosmético, alimentoValidade, quarentena, liberação da qualidade, recall
SerializadoEquipamento, eletrônicoNúmero de série por unidade
InfinitoServiço, consultoria, consumoVende sem estoque, com tarifação
LicençaSaaS, softwareSeats nominais, chave, validação em runtime

Serviço e SaaS se cadastram aqui mesmo — é só escolher Infinito ou Licença. A cobrança recorrente vira uma assinatura.

As três quantidades que ninguém distingue (e deveria)

Em estoque

O que está fisicamente lá dentro. Inclui o lote vencido e o que já tem dono.

Disponível para venda

O que sobra depois de tirar o reservado e o retido — lote em quarentena, bloqueado ou vencido. É esse que o vendedor pode prometer.

140 no estoque, 100 disponíveis. Se 40 unidades estão num lote vencido, elas contam como estoque e não como disponível. Somar os dois é como o lote vencido sai pela porta — e o sistema, aqui, não deixa somar.

Lote: nasce preso, não solto

Todo lote entra em quarentena. Não separa, não vende, não conta como disponível. A qualidade libera — e a liberação fica registrada com nome, data e hora. Bloquear um lote (suspeita, recall) exige motivo: seis meses depois, quando perguntarem por que aquele lote parou, o motivo é a única resposta que existe.

Quando falta produto porque o lote está retido, o sistema diz exatamente isso — "falta 20; há 40 retido (lote em quarentena)" — em vez do genérico "estoque insuficiente", que faz o comprador comprar o que já está no armazém.

Faturamento reserva. Expedição baixa.

Faturar gera o picking e reserva o estoque. A baixa acontece só na expedição, quando a tarefa é apontada.

Baixar na nota é dar baixa em algo que ainda está na prateleira. Se o pedido cai antes de sair, o estoque some do sistema e continua fisicamente lá — e a diferença só aparece no inventário, meses depois, sem ninguém saber explicar.

Vender o que ainda não chegou — com lastro

Dá para vender sem saldo: é a venda a descoberto, ligada por SKU, com limite opcional. Mas a promessa não é chute. O sistema calcula o ATP — o que dá para prometer:

disponível  +  em produção (OP aberta)  +  em trânsito (compra a caminho)

e devolve a data do lote que vai cobrir a falta — a ETA da OP ou da compra, mais a folga que você configurar. É essa data que o vendedor promete: o prazo elástico.

Sem OP e sem compra, a venda é aceita, mas o sistema marca, em âmbar, que ela está sem data de entrega. Prometer prazo sem lastro é o jeito mais rápido de perder um cliente — então ele se recusa a inventar um.

Kit que explode de verdade

Um engradado de 12 latas é um kit virtual: ele não tem saldo próprio. Ao vender um engradado, o sistema baixa 12 latas — e faz isso em toda saída de venda: PDV, faturamento, CRM, loja online e marketplace. Não é uma regra do PDV que os outros canais desconhecem.

Kit físico é o oposto: tem saldo próprio, é montado e desmontado. Os dois existem porque as duas realidades existem.

Comprar em caixa, estocar em unidade

Você cadastra os níveis de embalagem (UN → CX com 12 → Palete com 1.200) e marca em qual deles o item é comprado e em qual é vendido. Aí o comprador escolhe "10 CX a R$ 60" e o sistema grava 120 UN a R$ 5,00 — total idêntico, estoque correto. O "10 CX" fica guardado para o pedido impresso bater com o que ele digitou.

Produto controlado: ANVISA, PF, Exército

O regime define o que exige (licença da empresa, licença do cliente, registro do produto) e se a falta bloqueia ou só avisa. O produto declara a quais regimes está sujeito. Na hora da venda, o sistema cruza os três e recusa dizendo o que falta: "licença ANVISA da empresa vencida", "o cliente não tem licença do Exército". Licença que vence volta a bloquear sozinha, no dia seguinte.

E o que a fiscalização realmente pede — o livro de movimentação — sai pronto em /conformidade: saldo anterior, cada entrada e saída com data, documento e lote, saldo acumulado linha a linha, totais, e o cabeçalho com as licenças que amparam o período. Em tela e em CSV.

O livro é montado do que foi registrado no ato do movimento. Não existe "montar o livro depois" — se a entrada não foi registrada com lote e documento na hora, aquela linha não existe. É exatamente a lacuna que o auditor procura.

Etiquetas que sobrevivem à doca

Código de barras (Code 128) e QR, em PDF (impressora comum) ou ZPL (Zebra do armazém, sem depender de driver). A etiqueta do lote leva lote e validade impressos e dentro do QR — uma etiqueta só com o SKU perde o lote no instante em que a caixa deixa a doca, e aí o recall vira arqueologia.

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